Dicas para criar um podcast de igreja

Davida Rochman | 22/07/2015 Dicas para criar um podcast de igreja

Um dos primeiros a fazer podcasts de igrejas foi David Hopkins, que comandou a equipe de áudio composta de voluntários da Marlton Assembly of God Church, localizada perto da Universidade de Princeton. O que fez dele um especialista? Ele já criava podcasts de aulas da Princeton e convertia milhares de arquivos de Real Network e Windows Media em podcasts. Munido dessa experiência, ele decidiu começar a fazer podcasts dos cultos semanais da igreja. Hoje, David é o diretor do centro de transmissão de última tecnologia da universidade e ainda ajuda com o áudio da Sovereign Grace Church de Marlton. Pedimos que ele nos desse alguns conselhos sobre como fazer podcasts de cultos e mencionamos a seguir o que aprendemos.

 

Motivação para começar

Atualmente, explica David, existem ferramentas que simplificam muito a criação de podcasts. Portanto, nunca houve um momento melhor para começar. Considere estas vantagens:

Você já possui a maioria dos equipamentos.

Se tiver um computador, uma conexão de banda larga e um microfone, você já conta com os equipamentos básicos.

Você alcançará um público mais amplo.

Tudo tem a ver com a mensagem, certo? Você pode alcançar não só os fiéis da sua congregação que talvez tenham perdido um culto, mas também um público que vai além dos limites geográficos da sua igreja. Se a sua igreja tiver interesse em criar novas congregações, esse é um ótimo componente de amostragem.

Você detém o controle.

Uma das maiores vantagens de podcasts é sua flexibilidade característica. Você pode publicar o seu podcast na frequência que quiser (diariamente, semanalmente, mensalmente), e ele pode ter a duração que precisar. Você não está limitado a um formato.

É automático.

Depois que desenvolver o seu conteúdo e os ouvintes souberem onde encontrá-lo, a base já estará construída. Se assinarem o seu podcast ou o encontrarem no seu site, os ouvintes já estarão motivados a receber a sua mensagem. Podcasts são conhecidos por sua “adesão” inerente, ou seja, seus ouvintes vão voltar sempre. Se a sua congregação é como a maioria, você já está subindo cultos em seu site. Esse é um bom ponto de partida, já que é uma excelente forma de dar uma prévia da sua igreja aos recém-chegados. A beleza de dar o passo extra do podcast é que os cultos (e outras programações digitais que você venha a desenvolver com o tempo) são entregues automaticamente aos assinantes e ficam disponíveis para inspirá-los a qualquer momento e em qualquer lugar. Os downloads são automáticos. Suas portas ficam sempre abertas para novos fiéis.

O investimento inicial é de tempo, não de dinheiro.

O custo de um podcast de culto para a maioria das congregações de pequeno ou médio porte é o tempo dedicado para aprender a usar as ferramentas (majoritariamente) gratuitas disponíveis. Sua igreja já tem o talento necessário. O WordPress, para mencionar apenas uma solução, conta com diversos plugins de podcast grátis e fáceis de usar. A maioria dos diretórios (o iTunes segue sendo o maior deles) também é grátis.

Podcasting em três passos

David explica que o processo de criação e publicação do podcast da sua igreja envolve três etapas:

1. Gravação

Você provavelmente já está gravando o seu culto em um computador, CD ou equipamento de gravação. Dica: use equipamentos de boa qualidade. Você quer fazer a melhor gravação possível. De acordo com David, a gravação digital obrigou as igrejas a se modernizarem. “Bons microfones como os produzidos pela Shure podem fazer toda a diferença na

apresentação de um culto ou aula. Estudos já mostraram que as pessoas podem continuar assistindo a um vídeo mal produzido se o áudio estiver bom. Mas o inverso nunca acontece.” Dica: grave uma introdução e um encerramento profissionais. Inclua um locutor que dê as boas-vindas ao ouvinte e apresente um contexto para o culto. Promova a sua igreja no final e aumente o envolvimento do seu público convidando-o a comparecer às cerimônias. Deve sempre haver uma convocação para a ação.

2. Edição

O próximo passo é colocar a sua gravação (um arquivo WAV ou outro de “menor perda” é melhor que um arquivo MP3 já comprimido) no computador onde você fará o restante do trabalho. Há dezenas de programas feitos para editar áudio. O Audacity possui código aberto, funciona em diferentes plataformas e é um dos programas mais comuns; e como muitos dos outros componentes essenciais para um podcast, ele é gratuito. Além de obter a melhor gravação possível em primeiro lugar, a edição é onde a arte acontece. Ela exige prática. Você pode querer adicionar alguma música ou introdução, ou eliminar o choro de algum bebê, algum ruído de microfonia ou pausa muito longa. A igreja de David dá dois dias para a etapa de edição. Se o seu arquivo de áudio editado estiver no formato WAV, você precisará codificá-lo para MP3. Você pode fazer isso no software de criação de áudio que estiver usando ou importando o arquivo para o iTunes. Dica: ouça os seus podcasts como o seu público ouviria e faça os ajustes necessários. “Antes de adicionarmos microfones de superfície para os podcasts de nossos cultos, tínhamos um som oco e sem vida. Agora, captamos o som ambiente da sala. Ele possui uma rica imagem de estéreo e, quando eu escutei um podcast no meu carro alguns dias depois, consegui até ouvir duas pessoas tossindo em diferentes lados da sala.”

3. Publicação

A sigla RSS vem do termo “distribuição realmente simples” em inglês. O arquivo de texto de um feed de RSS inclui informações sobre os seus podcasts para que os diretórios e agregadores (como o iTunes) possam encontrá-los e baixá-los para os assinantes. É basicamente um navegador de internet para conteúdo RSS.

Crie uma arte de capa e um título/categoria para o seu podcast. Não deixe de mencionar o nome do orador e o título do culto semanal (“Jantar com Jesus” e “A vida é mais do que coisas” são dois exemplos recentes da Sovereign Grace Church) na descrição do seu podcast. Tenha uma plataforma de armazenamento de mídia para os seus arquivos de podcast. Uma solução utilizada pela maioria dos podcasters é o site www.libsyn.com. O SoundCloud também oferece recursos de armazenamento de podcasts. Agora, você já está pronto para enviar o seu podcast para o iTunes e outros diretórios. Depois que ele for aprovado, os assinantes vão receber automaticamente os seus podcasts semanais. Para desenvolver uma base de assinantes, não deixe de divulgar o seu conteúdo, começando pelos fiéis da sua congregação. Conte a todos que os seus podcasts estão prontos para inspirar no carro, na academia ou em qualquer lugar diretamente nos dispositivos móveis deles.

 

Mais dicas

Pedimos a David mais dicas baseadas em sua experiência de mais de 10 anos com podcasting de igrejas.

Faça um acompanhamento dos ouvintes.

“Tudo se relaciona com engajamento”, garante David. “Por isso é tão importante medir as taxas de ouvintes, downloads e assinaturas.” O plugin usado já incorpora geralmente essas métricas, seja o WordPress ou outra plataforma.

Cuidado com questões de licenciamento musical.

A maioria das igrejas entende que a Christian Copyright Licensing International (CCLI) possui regras que se aplicam não só à execução de músicas religiosas licenciadas, mas também à projeção de suas letras em uma tela e sua transmissão. Essa é uma questão presente em vídeo ao vivo de cerimônias, e também deve ser considerada para podcasts ou videocasts que incluam música licenciada. As igrejas devem cumprir a legislação de direitos autorais para que editores e compositores sejam remunerados de forma justa.

Como projetar um sistema de som portátil para igrejas

Está aí uma igreja que compreende o conceito de comunidade. Fundada há apenas 12 anos por Chris Tomlin e Matt Carter na sala de estar do baixista de Tomlin, a The Austin Stone Community Church conta atualmente com quatro campis em toda a área metropolitana de Austin — no estado norte-americano do Texas — e mais de sete mil fiéis, e um quinto campus deve ser inaugurado no ano que vem.Com exceção de uma única instalação permanente, todos os campis da The Austin Stone são “portáteis” e estão localizados em ginásios escolares com paredes de concreto. Como Todd Hartmann, que coordena o áudio de um total de nove cerimônias

dominicais de todas as quatro localidades, consegue fazer isso é simplesmente um milagre. Mas há algumas semanas, ele fez uma pausa para nos contar o que é preciso para atender aos padrões de uma cidade que conhece boa música e som de boa qualidade.

A Aaron Ivey Band no lançamento do CD “Austin Stone Live” no evento First Tuesday.

Como esta é uma cidade que se autoproclama a “Capital Mundial da Música ao Vivo”, quase desde o início, a The Austin Stone contratou uma empresa de produção em Dallas para comandar o áudio, a iluminação e os técnicos de som quando se mudou para seu campus principal na Austin High School. Em 2010, a igreja tinha crescido e se instalado em vários locais por toda a área metropolitana de Austin. Foi quando entrou em cena Todd Hartmann, que aprendeu suas habilidades de técnico de som ao vivo no mundo secular. “Estávamos alugando a produção completa toda semana e, para ser sincero, cada semana era uma incógnita. Que combinação de gabinetes de alto-falantes, subwoofers, amplificadores e processadores teríamos? Eu percebi na mesma hora que estávamos gastando muito dinheiro com aluguel. A cada domingo, fazíamos quatro cerimônias para aproximadamente cinco mil pessoas. Eu sabia que poderíamos ter equipamentos móveis de turnê e da melhor qualidade pelo valor que estávamos pagando a cada ano em aluguéis.” Para muitos técnicos de áudio que trabalham em igrejas tradicionais, a ideia de montar um sistema completo e desmontá-lo algumas horas depois pode parecer bastante assustador. Mas para alguém como Todd, “foi uma transição natural, pois eu estava basicamente fazendo tudo que eu costumava fazer em locais de show. Tudo era operado da mesma forma”. “Eu comandei o projeto e convenci a equipe de liderança de que comprar os equipamentos era a opção certa. Claro que isso envolvia um enorme investimento de capital. Como eu já tinha projetado o sistema, assim que todos concordaram com a ideia, foi só questão de reunir todas as peças.” Embora Todd já estivesse acostumado aos rigores da cena de shows, criar um sistema portátil envolvia diferenças fundamentais. “Para começar, não era um sistema instalado. Os racks precisavam estar localizados a uma distância razoável do palco, e tudo devia estar instalado em racks. Até mesmo as interligações entre os racks precisavam ter conectores multipino, de rápida conexão… tudo… para poupar o nosso tempo.”

Sem uma equipe de palco no local, acrescente também problemas de transporte. “Ao projetar cases, você precisa pensar em um truck pack. Tudo precisa se encaixar de maneira perfeita, já que vai provavelmente viajar em um caminhão toda semana.” Até o peso deve ser considerado. “Quantas pessoas são necessárias para isso? Nem sempre há muitos voluntários para ajudar na parte de áudio, e precisamos desenvolver equipamentos que podem ser montados por apenas duas pessoas. Com nosso novo sistema, montamos tudo em cerca de uma hora e meia, e desmontamos em aproximadamente uma hora.” “Ainda que a maioria das cerimônias seja realizada em ginásios, nossos cultos têm o ambiente de um espaço de música ao vivo. Nossos fiéis sentem cada batida de bumbo ou surdo. Não podemos simplesmente pegar um sistema de igreja convencional e esperar dele um resultado de show. Se eu não pudesse especificar um determinado sistema para um show pago, também não poderia especificá-lo aqui.”

astor Aaron Ivey e a banda no campus principal. Embora cada equipamento varie um pouco de um campus para outro, quisemos saber o que o sistema básico inclui. “Um de nossos campi tem um sistema Meyer M'elodie já instalado, e os outros têm sistemas d&b audiotechnik. O que queremos é esse mesmo nível de qualidade (d&b) de agora em diante. Estamos adotando um formato de line array médio e compacto com um complemento adequado de subwoofers que nos dá sólidos 110 dB de headroom no assento mais distante do espaço. Nós não chegamos ao ponto limite das faixas grave e média, mas sabemos que isso vai ser capaz de gerar o nível de pressão sonora necessário. Nossas cerimônias têm em média cerca de 98 dB, o mesmo que você teria em conferências da Passion ou da Hillsong. Queremos que a experiência religiosa envolva o fiel e crie um ambiente sem distrações em que ninguém se preocupe se está desafinando quando canta.” E estes são os equipamentos que Todd diz estar incluídos em um baú de microfone típico: (1) Shure Beta 91 (1) Shure Beta 52 (6) Shure SM57 (6) Shure Beta 58 (5) Shure SM81 ou KSM137 (2) Shure KSM32 (3) Heil PR31 (1) Heil PR30 (1) Palmer PDI-9 (6) DI ativo Tipo 85 da Countryman Esperávamos enfrentar problemas de frequência considerando a quantidade de espaços de música ao vivo em Austin. E ainda que a The Austin Stone utilize oito canais de monitores in-ear sem fio e dois canais de transmissores de corpo sem fio para os pastores, a maioria de seus campi de bairro não apresenta muita interferência. “Não existe um tráfego intenso de transmissão sem fio nessas faixas em particular. Todos os nossos equipamentos operam na faixa G1 (470–530). Como as escolas onde estamos localizados se encontram em áreas residenciais, muitas vezes, nem precisamos fazer uma nova varredura. Mas quando vamos a espaços de apresentação mais para o centro da cidade, é preciso fazer nova varredura de tudo. Abrimos o Wireless Workbench e vemos como é o tráfego da área, mas na maior parte, quando estamos em um de nossos campi, as frequências permanecem bem limpas.” Não podemos nos esquecer da acústica. De acordo com Todd, “são quase todos ambientes acusticamente hostis. Imagine um ginásio de tijolo cinza e 30 x 45 metros”. Como a The Austin Stone não usa tratamentos acústicos permanentes ou nem mesmo portáteis, queríamos saber como Todd consegue aquele excelente som de show ao vivo. “O primeiro passo é encontrar alto-falantes com excelente diretividade, a capacidade de um alto-falante garantir que o padrão caia onde o fabricante diz que ele vai cair. Assim, se for uma caixa horizontal de 75 graus, a maioria das caixas só se aplica às altas frequências. Nas faixas médias, ainda está jorrando 180 graus por todas as paredes. E é por isso que você precisa fazer um ajuste fino do sistema. As caixas d&B mantêm a diretividade constante em até aproximadamente 400 Hz. Há muito menos energia sendo pulverizada nas paredes, o que deixa a sala com um som muito mais limpo.” E tivemos uma surpresa. Exceto pelos voluntários que descarregam e guardam os equipamentos portáteis, a The Austin Stone contrata engenheiros de som profissionais. “Eu conto com voluntários que me ajudam com a parte de carregamento e montagem, mas eles não operam realmente o sistema. A engenharia

de som é algo profissional. Se você puder operar nesse nível, deve ser compensado por isso. Essa tem sido nossa abordagem desde os tempos de Chris Tomlin.” Com a longa trajetória de Todd em engenharia de som e de quase quatro anos projetando e operando sistemas de som para a expansão dos campi da The Austin Stone, quisemos saber que conselhos ele poderia oferecer a congregações que buscam desenvolver o mesmo tipo de padrão de áudio excelente e com pressão. Encontre a pessoa certa e considere talvez contratá-la como freelancer. [caption id="attachment_16133" align="alignnone" width="675"] Todd (o terceiro da esquerda para a direita) e equipe no Frank Erwin Center de Austin para a celebração do Domingo de Páscoa de 2012.[/caption] TODD HARTMANN, coordenador de engenharia de áudio da The Austin Stone e engenheiro de sistemas A1 da Big House Sound em Austin, é também um colaborador da ProSoundWeb e um palestrante de destaque do festival South by Southwest (SXSW).

Dicas de Todd Hartmann da The Austin Stone

Evolução

Projeção de um sistema

Equipamentos básicos

Problemas de frequência

Desafios acústicos

Contratação de profissionais

Conselho para membros de igrejas

1. Qual é a sua cultura de culto?Você precisa de algo que soe muito rock and roll? E se não precisar, você pode se virar com muito menos.

2. Do que a sala precisa?Eu sempre aconselho as pessoas a encontrarem alto-falantes com grande diretividade a apontá-los para as pessoas, não para as paredes. Se para isso for preciso elevá-los, colocá-los em uma haste ou cobri-los para bloquear uma parede traseira, tudo vai afetar muito o seu resultado final e o som da sala.

3. Se houver alguma empresa de som profissional na sua cidade que atue em turnês de shows, converse com alguém de lá. Você vai ter uma opinião isenta de alguém que trabalha no mercado de música ao vivo e lida com equipamentos móveis. Essa pessoa também vai poder indicar exatamente do que a sua sala precisa e como chegar a um equipamento que os seus voluntários poderão descarregar e guardar toda semana.

Colaboradora da Shure desde 1979, Davida Rochman é graduada em Comunicação Oral e nunca imaginou que seu primeiro emprego depois da faculdade acabaria se tornando uma carreira de toda uma vida que a fez comercializar microfones em vez de utilizá-los para falar. Atualmente, Davida é Gerente de Relações Públicas Corporativas, sendo responsável pelas atividades de relações públicas, patrocínios e programas de doação que passam pela Shure nos níveis corporativo e setorial.

Davida Rochman

Davida Rochman

A Shure associate since 1979, Davida Rochman graduated with a degree in Speech Communications and never imagined that her first post-college job would result in a lifelong career that had her marketing microphones rather than speaking into them. Today, Davida is a Corporate Public Relations Manager, responsible for public relations activities, sponsorships, and donation programs that intersect with Shure at the corporate and industry level.